sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Mestre Graciliano



É sabido de muitos (as) que Graciliano Ramos proibiu que o Hino de Alagoas fosse cantado nas escolas públicas de todo o Estado de Alagoas, no ano de 1933. Ele era Diretor da Instrução Pública, que equivale, hoje, a secretário de educação. O Mestre Graça chamou o hino uma “estupidez de solecismos”. – Solecismos são falhas burras na confecção de um texto. – E o Hino de Alagoas é, de fato, estupidez ao quadrado. – Com essa medida radical, ELE desagradou a gregos, troianos e alagoanos. – Estes, acusaram o Mestre de impatriótico. – Graciliano não se perturbou nem um pouquinho. E respondeu pela imprensa: - “Tenho horror aos patriotas, aos hinos e aos toques de corneta. Sem dúvida, essas coisas são indispensáveis, por enquanto. – Mas isso não me leva a gostar delas. Porque são horríveis.” – 2. De fato, eu conheço o Hino de Alagoas e sei que ele é horroroso, de cima a baixo. – E aquela birra de Graciliano com hinos já vinha de longe. – Em fevereiro de 1921 ele publicou artigo em jornais, nestes termos: “Hinos são festivais de patriotadas de fazer cair o queixo. São palavras bojudas, infladas de palavrões difíceis; cabeludas, incompreensíveis. – As patriotices rimadas são a causa das enxaquecas de muita gente que tem ouvidos para ouvi-las. Mas não tem estômago suficientemente forte para digeri-las.” – 3. ¡Solamente por hoy! /.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bater panelas





Por quem as panelas batem
16/8/2015 

Temos toda a razão de bater panelas quando a presidente aparece na TV dizendo que a culpa por nossa pindaíba é da crise internacional. Mas por que não batemos panelas quando Eduardo Cunha, o líder dos "black blocs" brasileiros, vândalo que faz política com pedras, bombas e coquetéis molotov, vai em rede nacional dizer que trabalha "para o povo", "sempre atento à governabilidade do país"?
Temos toda a razão de bater panelas contra a corrupção da Petrobras. Mas por que não batemos panelas contra o mensalão mineiro ou o cartel do metrô paulistano? Por que não batemos panelas contra a compra de votos para a reeleição do FHC? Por acaso pagar apoio na Câmara é mais grave do que pagar emenda na Constituição?
Temos toda a razão de bater panelas contra o retrocesso econômico de 2015. Mas como podemos não bater panelas contra o anel de pobreza que desde sempre engloba as metrópoles brasileiras, essa Faixa de Gaza de tijolo aparente, essa Cabul de laje batida onde se amontoa boa parte da população?
Temos toda a razão de bater panelas quando o governo se cala diante dos descalabros venezuelanos e da ditadura cubana. Mas por que não batemos panelas diante do fato de nosso principal parceiro comercial ser a China, maior ditadura do planeta? O tofu que alimenta aquela tirania é feito com a nossa soja e os fazendeiros, ruralistas e empresários que acusam a "venezualização" do Brasil são os mesmos que lucram com o dinheiro comunista. Ninguém bate woks por causa disso?
Temos toda a razão de bater panelas contra o estelionato eleitoral do PT. Mas por que não batemos panelas contra o estelionato eleitoral do PSDB, que elege repetidamente um governador tipo "gerente", prometendo "e-fi-ci-ên-ci-a" em cada sílaba, mas coloca São Paulo à beira do co-lap-so-hí-dri-co"? Um cristão cuja polícia, não raro, participa de grupos de extermínio, na periferia. Esta semana, foram 18 chacinados em Osasco e Barueri. Imagina se fosse no Iguatemi? E o estelionato das UPPs, no Rio, que prometem paz, mas torturam um cidadão até a morte e somem com o corpo?
"Não, não, isso não! Mata-me, mas não faz isso comigo!", gritava o Amarildo, segundo um policial que testemunhou a barbárie, dentro de um contêiner. Como pode a nossa maior preocupação em relação ao Rio, hoje, ser com a qualidade das águas para as Olimpíadas de 2016? Cadê o Amarildo? Cadê as panelas?
Temos toda a razão de sair pra rua, neste domingo, para protestar contra a incompetência, a corrupção e a burrice do governo. Mas por que não sair pra rua para protestar contra a incompetência, a corrupção e a burrice do país como um todo? Um país que mata seus jovens, sonega impostos, polui, compra carteira de motorista, licença ambiental, alvará, dirige pelo acostamento, estupra, espanca e esfaqueia mulher (mas retira a discussão de gênero do currículo escolar), um país onde os negros correspondem a 15% dos alunos universitários e a 67% da população carcerária.
Este ódio cego, esta parcialidade hipócrita, este bombardeio cirúrgico que pretende eliminar o PT – e só o PT– para "libertar o Brasil", empoderando Renan Calheiros e Eduardo Cunha, não é o desabrochar da consciência cívica, é mais um fruto da nossa incompetência, mais uma vitória da corrupção; palmas para a nossa burrice.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Teu perfume

Meus sentidos sentindo teu perfume / eu na noite como um simples vaga-lume / pensando no perfume e nesse cheiro / que vem suave do teu corpo inteiro. / Olho acima e só vejo o nevoeiro / sou festivo, sou altivo aventureiro / sou o tronco, sou a carne, eu sou a unha / ao nascer do sol, quero ser a testemunha. / Quando a tarde se encaminha para o ocaso / eu caminho sem ver hora e sem ter prazo / vou seguindo o meu instinto protetor / sou o canto, sou paz à procura de um amor. / O meu todo inquieto e sem temor / que me torna um canário voador / nessa hora quero ser o beija-flor / que não para e beija flores em seu frescor. / Sigo em paz, para encontrar o meu amor. /.

domingo, 17 de maio de 2015

A fé que me socorre




Vejo que a lua é tão clara / sinto que o tempo não para / por que tudo isso acontece / e de repente anoitece? / Mas assim a criança cresce / e por que a gente padece / por que a noite é escura / e eu só à tua procura? / Eu querendo te encontrar / e alguém a te bloquear / num vai e vem incessante / que de ti me aparta a todo instante. / Quero explicação pra tudo / não encontro e fico mudo / mas a esperança não morre / é essa fé que me socorre. / Faça noite ou faça dia / valho-me da Virgem Maria / e disso eu não abro mão / pois não há nisso ilusão. / Vejo aves em liberdade / voando em toda a cidade / e eu no meu livre pensar / pensando em tudo mudar. / Não sei aonde isso vai parar / aonde o rio vai desaguar / pois não me canso de esperá-la / pra bem junto acariciá-la. / Porque logo o dilema se desfaz / e nós encontraremos a paz / a paz dos apaixonados / dos eternos namorados. / Aqui registro esse grito / desse coração aflito / que só vai se conformar / quando essa nuvem passar. / Enquanto isso não chegar / nada me vai acalmar / nessa cruzada habilidosa / pela mulher primorosa. / Ela tem o gosto da rosa / a paixão mais ardorosa / e vem no meu corpo se aninhar / pra gente poder se amar. /.